Primeiro videogame da história,
Odyssey faz 35 anos
Em meados de maio de 1972, a Magnavox lançou o Odyssey, o
primeiro console de videogame da história. O aparelho foi inventado
por Ralph Baer e vários de seus preceitos foram seguidos por todos
os videogames.
A máquina foi concebida originalmente em 1951, segundo Baer, mas
foi só em 1966 que colocou no papel para produzir a sua idéia. Com
um projeto de quatro páginas, desenhou um aparelho que seria
conectado a uma TV. O aparelho independente de uma tela parece
óbvio hoje, mas na época os sistemas computacionais eram atrelados
a monitores especiais, muito mais caros.
Como a ajuda de Bill Rusch e do técnico Bill Harrison, Baer
desenvolveu um jogo simples de tênis, que teria inspirado Nolan
Bushnell, fundador da Atari, a criar "Pong", um dos jogos
eletrônicos de sucesso da história.
Em 1967, foi desenvolvido um protótipo para um controle em forma
de pistola. Com o desenvolvimento, em 1968, chegou-se ao Brown Box,
um console com controles externos e com capacidade para dez jogos
que foi patenteado.
Então, Baer passou 1969 mostrando seu projeto para grandes
empresas de televisão, como a General Electric e a Zenith. Quem
mostrou interesse foi a Magnavox, que se tornou a distribuidora
exclusiva da tecnologia do Brown Box. Entre 1970 e 1972, Baer e a
companhia trabalharam para desenvolver o que seria o Odyssey,
lançado em meados de maio de 1972 por US$ 100 (US$ 480 se
corrigidos com a inflação do período).
O console foi lançado com dois controles, e seis chips
"contendo" 12 jogos (na verdade, esses "cartuchos" eram apenas
conectores de circuitos, pois toda programação dos 12 jogos estavam
dentro do console). No entanto, o conceito de mídias removíveis
(que evoluiu do cartucho para os discos e hoje aponta para a
distribuição digital) foi introduzido com o Odyssey.
O controle era rudimentar, uma caixa alongada com duas maçanetas
em cada ponta (do lado esquerdo havia uma terceira maçaneta, menor)
e um botão para reset. Cada uma delas controlava as coordenadas
(horizontal e vertical). A menor era usada dar efeitos nos jogos de
tênis.
Os doze jogos eram "Table Tennis", "Tennis", "Hockey", "Cat and
Mouse", "Football", "Ski", "States", "Roulette", "Haunted House",
"Analogic", "Simon Says" e "Submarine". Com exceção do primeiro,
todos utilizavam um filme para colocar na TV - o de "Hounted
House", por exemplo, era uma casa não muito hospitaleira - para
compensar a pouca resolução das imagens. Outros jogos eram jogados
em conjunto com tabuleiros e os placares eram anotados em papel ou
nos marcadores mecânicos.
Os consumidores se interessaram pelo novo produto, mas erros de
marketing trouxeram problemas imediatos. Pelo fato de o Odyssey ser
vendidos em lojas da Magnavox e demonstrado ligado a TV dessa
marca, havia a percepcão errônea de que o console funcionava
somente com televisores da Magnavox. Sem os rápidos métodos de
comunicação que se dispõe hoje, a companhia não conseguiu sanar o
erro. Mesmo abaixando o preço para US$ 75, as vendas não subiram e,
no final, o Odyssey vendeu 100 mil unidades.
A empresa não desistiu do ramo, lançando na seqüência um console
com um jogo de tênis na memória, pegando carona no fenômeno "Pong",
que foi lançado em novembro de 1972. Em 1978, lançou o Odyssey 2,
que trazia um teclado, mas foi engolido pelo Atari 2600, saído um
ano antes. No Brasil, o videogame foi comecializado pela
Philips.
Um fato curioso é que o Odyssey foi distribuído no Japão pela
Nintendo em 1975. Na época, a companhia ainda trabalhava com
brinquedos tradicionais e só em 1977 viria a fazer seu primeiro
produto em videogames, o Color TV Game.
Baer foi agraciado com a Medalha Nacional de Tecnologia nos EUA,
em 13 de fevereiro de 2006, por sua "criação pioneira e
revolucionária, e desenvolvimento e comercialização dos
videogames". No mesmo ano, doou os protótipo e as docuientações
referentes ao Odyssey para o museu Smithsonian. Ralph Baer, 85, é
membro vitalício da IEEE, organização que visa a evolução das
tecnologias elétricas. Um dos mais famosos formatos da entidade é a
802.11, que define os padrões para redes sem fio.
Comentários